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Comentário a
"O DOM DA AUTORIDADE"

Autor William Henn (ofm cap.)

I. EDIFICANDO COM BASE EM CONSENSOS ANTERIORES

O texto tem quatro partes, sendo a primeira uma retrospectiva. Volta-se para o passado, procurando resumir as convergências que já haviam sido alcançadas nos textos anteriores da ARCIC sobre autoridade (a "Declaração de Veneza", de 1976, e a "Elucidação" e "Declaração de Windsor", de 1981). As respostas oficiais aos textos anteriores, fornecidas pela Comunhão Anglicana, em 1988, e pela Igreja Católica Romana, em 1991, foram de grande ajuda para a comissão do diálogo delinear os temas específicos a serem examinados nesse terceiro documento sobre autoridade. Essas respostas oficiais auxiliaram a comissão a formular sua meta de buscar um consenso ulterior nas seguintes questões:

  • a relação entre Escritura, Tradição e o exercício da autoridade de magistério;

  • colegialidade, conciliaridade e o papel dos leigos em tomadas de decisão;

  • o ministério Petrino da primazia universal com relação à Escritura e Tradição (Dom, 3).

O fato de O Dom da Autoridade estar tentando avançar justamente em questões julgadas, pelas respostas oficiais, merecedoras de maiores considerações é importante para situar o papel do documento na avaliação do grau de consenso entre Anglicanos e Católicos sobre autoridade. Esse consenso será mais amplo e mais profundo do que fica evidente no texto em si, justamente porque este, até certo ponto, se limita a problemas não suficientemente resolvidos pelos consensos anteriores. A tópicos tais como o ministério do episcope, primazia regional, jurisdição, ius divinum e os textos Petrinos do Novo Testamento, é dada grande relevância nos documentos anteriores, que não devem ser esquecidos. Assim, devemos considerar seriamente o subtítulo "Autoridade na Igreja III".